Quando eu vi aqueles olhos,
Verdes como nenhum pasto,
Cortantes palhas de cana,
De lembrá-los não me gasto.
Desejei não fossem embora,
E deles nunca me afasto.
Vivemos a desventura
De um mal de amor oculto,
Que cresceu dentro de nós
Como sombra, feito um vulto.
Que não conheceu afago,
Só guerra, fogo e insulto.
Na noite-grande-fatal,
O meu amor encantou-se.
Desnudo corpo inteiro
Desencantado mostrou-se.
E o que era um segredo,
Sem mais nada revelou-se.
Sob as roupas de jagunço,
Corpo de mulher eu via.
A Deus, já dada, sem vida,
O vau da minha alegria.
Diadorim, Diadorim...
Minha incontida sangria.
Eu sinto que a cadência dessa música traz um movimento para a história que está sendo contada e, pela ênfase dada a alguns versos, tão intensa e harmoniosamente, sua própria interpretação desvela quem é Diadorim.
Só saberá, para sua pena e alívio, que se trata de uma mulher disfarçada de homem nas últimas páginas do livro, quando Diadorim mata e morre, num duelo a faca com Hermógenes - assassino de seu pai, Joca Ramiro. Seu corpo vai ser preparado para receber a mortalha, quando também o leitor fica sabendo seu verdadeiro sexo. (p.49)
Referências: GALVÃO, Walnice Nogueira. Guimarães
Rosa/ Walnice Nogueira Galvão. - São Paulo: Publifolha, 2000. - (Folha explica)
NÓBREGA, Anônio. O romance de Riobaldo e Diadorim. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=uKIKWAucs_A> Acesso em: 27 de Abril de 2016.
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